Você conhece a história da Cannabis?

Apesar de estar se popularizando apenas recentemente, o uso medicinal da Cannabis é conhecido há muitos anos.

Descubra neste conteúdo um pouco mais sobre a história da Cannabis!

Uma das primeiras menções ao seu potencial terapêutico foi registrado por volta de 2900 A.C. na Enciclopédia Shennong onde o homônimo autor referencia a Cannabis como auxiliar em melhoria de dores e constipação, além de sublinhar seu potencial anestésico.

 

Já no século I, o autor Pedâneo Dioscórides escreveu o livro De Materia Médica, uma enciclopédia contendo informações sobre fontes naturais para remédios e possíveis opções de tratamentos naturais. Dentre eles:

 

600 vegetais medicinais

35 fármacos de origem natural 90 fármacos de origem mineral.

 

Por se tratarem de publicações muito antigas, é possível que alguns dados apresentados estejam desatualizados ou que, simplesmente, não se provaram reais nos métodos de avaliação científica de eficácia.

No entanto, algumas informações resistiram ao teste do tempo. Dentre elas, o potencial terapêutico da Cannabis, especialmente para dores e para agitação.

Avançando no tempo, entre 1839 e 1843, após passar uma temporada na índia, pesquisando diferentes plantas, o médico irlandês William B. O’Shaughnessy publicou informações sobre o potencial anticonvulsivo da Cannabis.

 

Ainda que de forma discreta, o potencial terapêutico da Cannabis recebeu cada vez mais atenção da comunidade médica e científica. Especialmente a partir da última década de 60, a compreensão que tínhamos sobre essa planta começou a se modificar.

Um marco importante para essas mudanças foram as pesquisas do químico e professor, Dr. Raphael Mechoulam. Em 1963, ele se tornou a primeira pessoa a isolar o conhecido composto CBD e estudar suas aplicações, algo que repetiu para muitos outros canabinoides ao longo de sua extensa carreira acadêmica.

 

Outra figura de destaque mundial na pesquisa e uso medicinal da Cannabis é o Professor. Dr. Elisaldo Carlini, um médico brasileiro que dedicou sua vida ao desenvolvimento da compreensão e dos benefícios dessa e de muitas outras plantas, compostos e substâncias.

Uma de suas inúmeras contribuições foi a viabilização do uso medicinal da Cannabis para epilepsia, nos anos 80, algo que auxiliou para a argumentação favorável ao acesso da terapia canabinoide, 40 anos mais tarde, em um marco histórico para o Brasil.

O Dr. Carlini também publicou uma linha do tempo pessoal com os principais pontos históricos relacionados à Cannabis, de impacto nacional, antes de sua geração:

1500’s: A Cannabis chega ao Brasil com o povo angolano e passou a ser cultivada por pessoas escravizadas e indígenas.

1830’s: Uso medicinal, progressivamente comum e disseminado por médicos ingleses para várias condições de saúde. No Brasil, entra em vigor a Lei do Pito do Pango, que proibia o uso da Cannabis.

1900: Cannabis vendida em farmácias sob o nome “Cigarros Índios”, para uso expectorante.

1924: Demonizada na ‘II Conferência Internacional do Ópio’.

1930: Início da perseguição policial/judicial à Cannabis e seus relacionados.

Os protagonistas do próximo capítulo da Cannabis são os diversos pais e mães de pacientes da terapia canabinoide que lutaram judicialmente pelo acesso aos produtos medicinais derivados de Cannabis.

A história principal pode ser conferida no filme “Ilegal: a vida não espera” (confira o trailer, clicando aqui). O documentário conta a história de Katiele Bortoli Fischer, mãe da Anny, que desafiou a lei ao importar ilegalmente o único composto (o CBD) que parecia aliviar as constantes crises convulsivas de sua filha.

Partindo desse episódio, a legislação para a Cannabis passou a mudar e, atualmente, o paciente da terapia canabinoide, com sua receita médica em mãos, tem seus direitos garantidos através das decisões:

RDC 327/19

RDC 660/22

RDC 24/2011

Regulamenta a comercialização de produtos derivados de Cannabis na farmácia.

Regulamenta a importação individual dos produtos derivados de Cannabis para pacientes. É necessária uma autorização da Anvisa para a importação, e isso faz parte do processo de aquisição de produtos para pacientes.

Permite o acesso a fitofármacos (substâncias purificadas e isoladas a partir de matéria-prima vegetal com estrutura química definida e atividade farmacológica confirmada) derivados de Cannabis nas farmácias.

O paciente também pode obter a terapia canabinoide através de associações de pacientes que tenham permissão para cultivo e fornecimento.

Agora você conhece parte dos bastidores e do histórico de nosso trabalho!

A equipe da ViV agradece a todos os profissionais da saúde, pesquisadores, pais e mães que permitiram a construção de uma visão da Cannabis mais científica e correta!

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